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Revendo Homem-Aranha: Parte 3 de 3 – A ERA MCU

A entrada de Peter Parker/Homem-Aranha no Marvel Cinematic Universe não foi algo feito da noite para o dia e ainda hoje, com seu terceiro filme às “portas” de estrear, os contratos, acordos e arregimentos para sua existência são tão instáveis quanto o caminhar de um trapezista numa corda bamba (ou seria teia?) entre dois arranha-céus. Mas, a bem da verdade, já são (até agora), dois filmes do personagem lançados e participação especial em três grandes bilheterias da Marvel: o já comentado Guerra Civil, Vingadores: Guerra Infinita (Anthony e Joe Russo, 2018) e Vingadores: Ultimato (Anthony e Joe Russo, 2019). Tentarei não me concentrar nas participações especiais, me focando só nos filmes… e nos acordos que os fundaram.

A primeira notícia que realmente se tem do acordo da Marvel com a Sony é que aquela teria controle criativo sobre o personagem, enquanto a segunda teria participação das bilheterias + exploração da marca – o que, se pararmos pra pensar (e simplificando ao máximo a situação), coloca a Marvel/Disney com o trabalho pesado, enquanto a Sony martela as decisões e ganha os cifrões (a equipe jurídica e financeira das duas empresas devem viver à base de remédio tarja preta).

Mas a Disney é uma empresa gananciosa por natureza e sempre soube dar um “jeitinho”: assim, diminuíram a faixa de idade de Peter (de jovem-adulto ele passou a full-teenager) – Feige até tentou justificar dizendo que, na cabeça dele, a ideia é fazer uma série de filmes tal qual Harry Potter, com a gente acompanhando o “crescimento” de Peter com o passar dos filmes – e trouxe seus heróis como “tutores” do jovem Parker: dessa forma, mesmo que o investimento criativo seja da Disney e a marca “Spider-man” pode ser livremente explorada pela Sony, esta não tem poder sobre Homem de Ferro, Nick Fury e outros demais personagens importados do MCU.

Além disso, não é como se a Disney não pudesse explorar o próprio merchandising na onda: afinal, basta um filme novo do Cabeça-de-Teia ser lançado que imediatamente entram o merchan dos quadrinhos, das animações, das versões de Lego etc etc etc… tudo sob controle da Disney/Marvel.

Uma segunda matéria que encontrei já diz que a Disney/Marvel pode explorar o merchan do Aranha especificamente nos filmes, ganhando 5% de bilheteria enquanto a Sony come 95% dos ingressos – o que só me diz que esse acordo todo é muito mais confuso do que parece.

Bem, de qualquer forma, é este o contexto do Peter/Aranha do jovem ator Tom Holland. A série “casa” (e eu quero enfatizar bem essa palavra: série) se propõe a apresentar um Peter colegial, tendo de lidar com seus primeiros anos como amigão da vizinhança e, agora, aliado dos Vingadores e financiado por Tony Stark.

Jon Watts, diretor dos dois filmes, faz referência direta a comédias adolescentes dos anos de 1980 e 1990. O nome de John Hughes, por sinal, vira e mexe aparece na boca de Watts como inspiração maior – não à toa, Curtindo a Vida Adoidado (John Hughes, 1986) faz uma ponta em Homem-Aranha: De Volta para Casa (Jon Watts, 2017) – e definitivamente estes novos filmes do Aranha seguem essa cartilha.

O que é recebido como uma grande virada de cara por fãs mais sedentos dos quadrinhos, ao meu ver, é um grande acerto. Diminuir a idade de Peter é aproximá-lo do público infantil, e trazer outros heróis lembram as divertidas histórias da Marvel Team-Up. Fora que, convenhamos, o Aranha é arroz de festa em praticamente todo título de quadrinho que anda mal das pernas. Bem como, não acho que tudo foi feito de maneira irresponsável. Nos dois filmes, Peter ainda é, no fim das contas, o herói de tudo. Então, aos chiadores… menos.

Uma vez ok com essas premissas, adorei rever Homem-Aranha: De Volta pra Casa. Sustento o gosto amargo que tive à primeira vez (e que já falei): ainda acho que a importante figura da tia May foi mal explorada, que faltou coragem para assumirem Zendaya como uma Mary Jane real, sem necessidade de ser uma ruiva-saída-do-ideário-punheteiro, além disso (quase) nenhuma alusão a Ben Parker, mesmo sem sua célebre frase, torna Peter um menino de boas intenções, mas não com muita motivação heroica. Mas, enfim, ok… né?

Além dos meus “azedumes”, o filme é uma boa e jovial pedida, muito bem sustentada na escolha de não ficar retornando ao passado “de origem” do Homem-Aranha (sabe-se quem ele é, o que ele faz e supõe-se como conseguiu os poderes, isso é tudo) e deixando a trama “do presente” levar toda a história, simplificando o que nunca precisou ser complicado.

Peter de Holland é simpático e divertido e um “prodígio-inventivo”, todo o cenário colegial é adorável, os coadjuvantes, de Ned a Karen, são maravilhosos, a ação do filme é boa – apesar de que, pessoalmente, acho que deixou a desejar em comparação à dualogia Webb – e Watts que, convenhamos, não é um dos melhores diretores que a Marvel tem, conseguiu criar uma atmosfera heroica-adolescente muito bem balanceada, com a comédia tomando a maior parte do filme e dando o devido destaque às cenas mais tensas ou emotivas: a descoberta pelo Abutre de que Peter é o Aranha é um dos mais geniais momentos do filme e eu pessoalmente amei demais quando Peter é soterrado e começa a gritar, entre choros, pedindo pra sair dali – apesar de o fã de quadrinhos relembrar da clássica cena de Ditko (e que foi repetida à exaustão nas HQs idem) e ver que esta não é a mesma, Watts soube adaptá-la para seu Peter: uma criança no colegial que, de repente, percebe que esse negócio super-heróico pode ser mais doloroso do que parece. Tá no meu top 10 de cenas favoritas dos filmes.

Outra coisa que acho que a Marvel gosta muito de desenvolver é o “texto interconectado”, com símbolos, modelos, aparatos, personagens de fora da estrutura fílmica impactando a produção interna de algum jeito. Esse texto todo bonito e meio boçal foi pra elogiar a escolha de Michael Keaton como Abutre – exatamente porque há um subtexto aí, afinal, Keaton fez dois “pássaros-heróicos”: Birdman (Alejandro González Iñárritu, 2015) e Batman (Tim Burton, 1989) (ok, um morcego é um mamífero, mas voa) e isso evoca um conjunto de expectativas muito bem relacionadas quando alguém com o histórico spandex de Keaton entra numa produção dessas, e a Marvel soube cumpri-las.

Outro ponto positivo na escolha de Keaton é sua qualidade como ator em balancear personalidades caricatas e dramáticas com precisão: ele fez isso em Beetlejuice (Tim Burton, 1988), Muito Barulho por Nada (Kenneth Branagh, 1993), no próprio Batman e em mais um cem números de papéis – ele respira o mesmo tom de diversão e vilania do Norman Osborn de Dafoe e Octopus de Molina – Keaton está à vontade no papel como criança com algodão doce. Além disso, ele derruba o tropo do “vilão doido”: Adrian Toomes é um cara que foi passado para trás por um magnata e resolveu fazer uma pequena revolução fora-da-lei. Suas motivações são bem colocadas e justificam toda sua forma de agir, sua vilania e até seu código moral. Um personagem redondinho.

Assim, Homem-Aranha: De volta para Casa é um filme bem divertido e soa como um saudável retorno do Aracnídeo às salas de cinema – mesmo com a sempre criticada presença dos heróis do MCU e que, revendo, me incomodou bem menos do que as vezes anteriores -, porém seu tom episódico ainda é muito evidente (numa perigosa segurança de que ainda vão ter outros filmes para desenvolver estes personagens) e enquanto a trilogia Raimi deixava boas conclusões e discretos ganchos, o trabalho de Watts só faltou ter um “CONTINUA” em letras garrafais antes dos créditos. O que, por sinal, veio também dois anos depois, um pouco antes da epidemia de Covid-19 trancar o mundo.

Uma coisa importante sobre Homem-Aranha: Longe de Casa (Tom Watts, 2019), segundo filme do teioso no MCU: foi o primeiro do personagem a arrecadar um bilhão.

A avantajada bilheteria não pressupõe que ele seja o melhor, obviamente, e veio alavancada pelo recém sucesso de Vingadores: Ultimato (Russo Brothers, 2019), sendo o primeiro filme Marvel após o “fim” da grande saga que começou em 2008 – e que levou sozinho dois bilhões mundialmente. Assim, havia um frisson do público em saber como a Marvel ia lidar com seu universo após os acontecimentos da derradeira participação de Robert Downey Jr. nesses filmes. Dessa forma, arrisco dizer que pelo menos 40-60% dessa bilionária bilheteria em HA: LdC reside num tipo de orfandade misturada com curiosidade de saber como a série de filmes Marvel iria seguir.

De qualquer forma, apesar de todas as críticas dos fãs saudosistas de HQs, de todo o chorume dos que queriam ver um Aranha mais independente, de todos os narizes tortos que ainda estavam presos na trilogia Raimi, Longe de Casa é um ótimo filme dessa série do Aranha. Ótimo mesmo. Mas… ainda é uma série.

Retomo aqui o vocábulo “série” porque invariavelmente é o que SM: Far from Home é: um episódio dentro da nova temporada Marvel – ele não consegue se sustentar, desde a existência de seu personagem principal, aos dramas dos coadjuvantes e até mesmo a motivação de seu vilão, fora do MCU. Em outros tempos, eu diria que isso era uma imensa doidice, mas, a bem da verdade, parece ter funcionado.

Lógico que não foi à toa, e sim a enorme malaquice da Disney em ganhar em cima de outros personagens além do Aranha: lembro de ver em lojas de brinquedo de Nick Fury, que tem presença garantida no filme, ao retorno de Miss Marvel e Homem de Ferro às prateleiras. No entanto, um bilhão num filme faz com que todos os envolvidos cresçam os olhos e mais “conversas atravessadas” tomaram a sala de reunião da Sony com a Marvel – retomo este tópico ao fim do texto.

Sobre o filme em si, Longe de Casa vive as consequências do final de Ultimato, mas procura não mexer em time que tá ganhando: a constante emulação de comédias colegiais (agora, numa viagem de férias a Europa) se mantém até mesmo em sua estrutura simplista – Peter retorna com uma fulminante paixão por MJ, argumento que sequer tinha sido sugerido no filme anterior e que é entregue sem nenhuma consistência além do “martelamento” natural de que Peter Parker ama MJ e pronto; não fosse a boa sinergia entre Holland e Zendaya, talvez essa premissa tivesse afundado completamente – e o filme prefere viver o presente de seu principal personagem através das dores de seu recente passado cinematográfico, apesar de não deixar que este seja mais do que um pontapé para toda a história.

De resto, o filme continua a combinação do anterior: coadjuvantes divertidos, super-heroísmo adolescente, tutores para Peter-Aranha, muito mais comédia que drama – numa escala quase perigosa, transformando o Sentido Aranha numa piada hormonicamente adolescente e até certo ponto leviana. Por sua vez, as cenas de ação e efeitos especiais parecem mais ousadas, inspiradas no material original de Ditko e fazendo um uso do SFX que se aproxima muito dos conceitos apresentados em Dr. Estranhoa cena de Mysterio enganando Peter dentro de um mundo ilusório é puro caldo de Steve Ditko, enquanto a luta do Aranha contra os drones evoca algumas das melhores cenas desenhadas pelos Romitas e Erik Larsen. Além disso, Holland pega Peter Parker para si e transforma em algo só seu: sua interpretação do personagem se assemelha muito mais às comédias do começo de carreira de Tom Hanks e ao jeito bobo e meio elétrico de Billy Crystal e a simpática inocência corajosa de Michael J Fox e Matthew Broderick do que qualquer versão quadrinizada do personagem – e realmente considero isso um acerto.

Sobre Mysterio, interpretado aqui por um empolgado Jake Gyllenhaal, o personagem também está na medida: ele possui aquele rancor dos quadrinhos adicionado a uma bem dosada atuação “nicolas-cageana” de Gyllenhaal, que ganha a plateia em um momento e no segundo seguinte nos faz odiá-lo completamente. Novamente o tropo do vilão biruta foi deixado de lado: Mysterio é um cara frustrado, controlador e sem escrúpulos e isso basta – senti muita pena por ele já ter sido descartado.

De resto, o filme é realmente isso: uma descompromissada aventura super-heroica de um menino que perdeu seu principal tutor e tem de assumir a responsabilidade deixada pelo vácuo do mesmo. Acredito, por sinal, que muito das críticas negativas à série “casa” está em não aceitarem o total comprometimento dos filmes pela diversão – mesmo que flerte com o drama – e fugacidade, diminuindo qualquer seriedade que por ventura os fãs mais obcecados anseiam.

No entanto, quando chega ao fim, Homem-Aranha: Longe de Casa eleva as expectativas de si próprio, trazendo JK Simmons ao papel de JJ Jameson e revelando a identidade de seu herói-mirim – assim, ao invés de resolver o “continua” de seu filme anterior, ele acaba por adicionar um novo “continua” e talvez criando um problema maior do que poderia ser capaz de resolver em sua continuação… se ela existisse.

Não sei quantos ainda recordam, mas Homem-Aranha: Sem Volta pra Casa (Tom Watts, 2021) chegou muito próximo de não acontecer.

Lembram que falei que depois da bilionária bilheteria, Sony e Disney cresceram os olhos no “menino-aranha”? Pois bem… as notícias oficiais e os anúncios de diversas fontes não dão detalhes do que aconteceu, mas, se pensarmos um pouquinho, talvez não seja tão complicado imaginar o que rolou na sala de reuniões das duas produtoras: Disney queria uma fatia maior porque, afinal, foi na gestão dela que o bilhão chegou (isso se justifica pela notícia deles quererem mais que os 5% de bilheterias); Sony, por sua vez, queria poder influenciar mais – trazendo mais do portfolio aracnídeo aos filmes e poder explorar outras franquias interligadas (vide Venom, Morbius, Kraven etc.) – Disney não quer isso porque quer trazer seus próprios heróis e comer pelas beiradas; Sony se emputece e diz que vai brincar noutro lugar e levar a bola quadrada dela; Disney olha e diz “já vai tarde” e daí a coisa toda degringolou e várias conversas desencontradas se “desencontraram” – era Tom Holland sendo despedido, era chamar o Sam Raimi de volta, era novo reboot da franquia, era Aranha voltar pra geladeira etc. etc. etc. Aparentemente, foram umas centenas de conversas com Kevin Feige e Amy Pascal mediando as produtoras e fazendo mil e um pitches para que as coisas não parassem por aí.

E o que salvou Toninho Hollanda? Os bonequinhos desenhados dos gibis e das animações.

Os quadrinhos sempre foram uma excelente fonte de ideias para Hollywood ou para qualquer outra empresa. Mesmo quando suas vendas não são as mais animadoras do mercado, é sempre melhor repensar um título que fechar as portas de uma editora – ainda mais se esta tiver uma penca de personagens que já fazem parte do imaginário popular. A aquisição da Marvel pela Disney é a prova disso: bem como o investimento desta – não somente nos cinemas, mas agora em séries, animações e sabe-se lá que milhares de outros produtos. Para isso, óbvio, a máquina “histórias em quadrinhos” não pode parar. Pois uma ideia bem experimentada nas HQs tem um potencial enorme como produto em outra mídia.

Entre 2014 e 2016, as HQs do Aranha viviam um momento intenso: Miles Morales (personagem de 2011) era um seguro sucesso e estava dividindo páginas com o Peter Parker original no evento Spider-verse (2014-2015) que acabou não somente por apresentar uns cem Aranhas novos, mas resgatar praticamente toda versão do herói aracnídeo que já tinha aparecido em alguma página ou tela que a Marvel tinha direitos. A série foi um sucesso tanto pelos elogios dos fãs e críticos, quanto porque conseguiu chamar um novo público leitor – e ela é puro suco de ficção-científica-quadrinística: vários Aranhas de realidades alternativas tendo de se unir para enfrentar um inimigo em comum: uma família vampírica cuja fonte de poder é o sangue de mitos “corporificados”, no caso, em especial, e para dizer o óbvio: mitos aracnídeos.

A ideia chamou atenção especial da Sony – logicamente – “olha quantas Pessoas-Aranhas podem ser exploradas aqui?” (novamente os gibis salvando as franquias Hollywoodianas). Mas 2014 e 2015 foram os anos em que a Sony tanto tentava manter o teioso do Webb quanto decidir o que fazer com ela caso o barco afundasse. Mas tenho certeza que a ideia do “Aranhaverso” definitivamente começou a ser pensada. Era quase um berro de que aquilo deveria existir: mas como? De que forma? Será que algo tão tão tão quadrinho funcionaria mesmo no cinema? Como correr o risco desta ideia sem correr tanto este risco? A resposta veio em 2018 com Homem-Aranha no Aranhaverso (Rodney Rothman, Peter Ramsey, Justin Thompson, Joaquim Dos Santos, Kemp Powers, Bob Persichetti, 2018).

Só o time de direção deve ter um valor criativo que se medido em ouro a pepita teria o tamanho do núcleo da Terra, mas ainda são mais baratos que as alardeadas “pessoas reais” dos sets montados em tela verde, e a proposta que trouxeram para Homem-Aranha no Aranhaverso elevava em muito o potencial do personagem, dando protagonismo a Miles Morales, focando-se no conceito “Qualquer um pode ser Homem-Aranha por trás da máscara”, e incluindo uma série de Aranhas que são únicos e divertidos numa animação que transpira quadrinhos das décadas de 1960-1970, readaptando o visual da época com toda a cultura urbana preta norte-americana e prestando as devidas homenagens aos criativos dos períodos dos quais bebe suas referências. Como se encantar visualmente não fosse o bastante (eu não acho que seja), Aranhaverso não deixa de lado a humanidade de Miles “Aranha” Morales, não desconsidera seu lugar social, nem subestima a potencialidade de um texto tão repetido: os conflitos que surgem na adolescência – tal qual Peter Parker fez em 1962 – tornando-os relevantes, encantadores e atuais.

Não quero aqui me esticar mais que necessário sobre Homem-Aranha no Aranhaverso, até por conta de minha total paixão por ele. O filme é fantástico e, pra mim, é o melhor produto audiovisual feito do personagem. Com seu sucesso, aquilo que parecia incerto voltou a ser conversado – e alardeado – e novos acordos foram feitos. A presença do Aranha de Tom Holland foi garantida em mais filmes (por mais que isso ainda esteja incerto, tendo em vista um discreto texto de que este pode ser o fim definitivo de seu Aranha) e a presença de Peter no MCU assegurada. A questão é que, talvez, não seja somente ele, pois Aranhaverso deu espaço para mais Pessoas-Aranha na tela.

Acho importante lembrar que Spider-man: Into to the Spider-verse faz parte de um teste que consiste em cabem tantos Aranhas assim num filme? Aparentemente, a resposta é “sim”. Só que animação não é a mesma coisa – nem segue as mesmas regras – do cinema regular, então é preciso lapidar melhor a ideia para um público que é muito maior, misto e que nem sempre consegue engolir propostas de quadrinhos com tanta facilidade. Nisso, uma vez as produtoras reorganizadas em seus acordos, coube ao MCU de Kevin Feige trabalhar com a “educação formal” do público ao multiverso.

Se parar para pensar bem, a ideia de multiverso é a melhor saída para o MCU: personagens mortos, atores cujos contratos acabaram, furos de roteiro etc. Stark morreu? Trazemos um novo vindo de outra Terra que não precisa ser Robert Downey Jr. X-Men nunca existiram aqui? Não se preocupe, uma invasão mutante vai ter início… vindos de outro universo. Agentes da Shield? Demolidor? Motoqueiro Fantasma? Basta abrir um portal ou causar uma confusão no fio da realidade – tudo pode ser refeito, repensado, rebooteado a partir do conceito de multiversos: nada funciona porque tudo funciona e vice-versa.

Para dar um suporte – e explicação – e fazer o público se acostumar a isso, a Marvel investiu em suas séries: WandaVisão (Jac Schaeffer & Matt Shakman, 2021), Loki (Michael Waldron & Kate Herron, 2021) e What If…? (A. C. Bradley & Bryan Andrews, 2021) são o multiverso em sua essência. Enquanto What If…? segue um caminho simples, Loki se lambuza até os ossos no conceito e WandaVisão prepara o terreno para Dr. Estranho no Multiverso da Loucura (Sam Raimi, 2022), que carrega a responsabilidade do nome em seu título e anda marca presença no filme do Aranha que estreia hoje.

No fim das contas, por mais complicado em termos jurídicos seja a existência de Homem-Aranha: Sem Volta pra Casa, se ele não tiver de alguma forma ditado os rumos da 4ª Fase do MCU, ele pareceu a conclusão do primeiro capítulo da narrativa sobre multiversos em que a Marvel se afoga agora e que, possivelmente, ditará seu futuro além desta fase – e, melhor pra Disney, uma maneira de manter a rotatividade de seu cofrinho – e o fanservicismo parece ser a pedida do cardápio.

De certezas vilanescas a esperanças multiversais e expectativas aracnídeas, Homem-Aranha: Sem Volta pra Casa (Tom Watts, 2021) é a eclosão de contratos costurados a muitas mãos e poderá ditar não somente a franquia Homem-Aranha com Tom Holland, como se tornar um marco contínuo que redefinirá a ideia de reboot para o cinema de super-gente.

Fim. Por enquanto…

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