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Randomizando o Netflix 3

Giuseppe Tornatore

Virgil Oldman é um excêntrico, solitário, arrogante e bem-sucedido leiloeiro especialista em arte que vive em função de sua coleção: raras e inestimáveis pinturas de mulheres. Quando uma incomum e agorafóbica cliente encomenda que ele faça o inventário da casa dos falecidos pais, Virgil é seduzido por dois mistérios: a jovem que nunca se revela e o quebra-cabeça de engrenagens de uma antiga e rara peça mecânica.

Sempre penso que se há uma chance de ver Geoffrey Rush atuando, é preciso aproveitar. Seu Virgil Oldman é impecavelmente trágico e cartunesco, além de incrivelmente atraente em seu temperamento rabugento. Rouba a cena, no entanto, Sylvia Hoeks, que entrega uma interpretação desesperadora, que confunde e causa ansiedade – a jovem atriz consegue dar tanta integridade a sua personagem que até quando ela não está em cena – sua (não)presença é intensa e perturbadora – apesar de pessoalmente me incomodar um romance entre um ator tão velho e uma atriz tão jovem, prática que deveria ser revista em hollywood imediatamente. A trama é uma bem costurada coleção de reviravoltas, mas que depois de um tempo se torna previsível, fazendo com que o filme tenha uma técnica impecável, mas que perderia força e alma não fosse o elenco inspirado.

★★★

Yusuf Pirhasan

Depois de ser abandonada pelo noivo, a psicóloga Eylem se muda para onde seria o futuro apartamento do casal. Lá ela é ajudada pelas inquilinas a se livrar da depressão gerada pela situação. Ao conhecer mais suas vizinhas, passa a querer ajudá-las também, livrando-as dos maridos e relações abusivas.

Apesar de particularmente ter gostado do filme – tendo uma ressalva acerca de seu incômodo e lento timming – acredito que a opinião de uma mulher seria consideravelmente mais válida que a minha, pois o filme transforma em humor (até certo ponto bastante incômodo) situações de vingança com relação a abusos reais que mulheres sofrem e, nisso, ele pode ter sido mais irresponsável que o esperado. Reviews dele, por sinal, são necessárias. Há pouquíssimas na web e em línguas não facilmente compreensíveis a esse lado do mundo (ou a este articulista).

★★★

Julien Rambaldi

1975. O recém-formado Seyolo Zantoko de Kinshasa (Congo) insiste em ser o médico do pequeno vilarejo francês de Marly-Gomont, esperando exercer a profissão e obter sua cidadania. Depois de se mudar pra lá com a família, tem de enfrentar o preconceito dos moradores.

Baseado numa história real e com um elenco bem disposto, o filme diverte de muitas maneiras, sem deixar de lado seus dramas, mas criando uma atmosfera de “para toda a família”, ou seja, nem sua comédia é exacerbada, nem seus dramas são depressivos. De certa forma, é a mesma história de sempre: estrangeiro tenta se adaptar aos costumes do vilarejo adaptando o vilarejo a sua presença. No entanto, as questões raciais são interessantes aqui e – assim como em Kurtulus – acredito que as impressões de uma pessoa negra sobre o filme são bem mais relevantes que as minhas.

★★★★

Christopher Menaul

Um livre e libertino reduto de artistas no começo do século XX é palco para o triângulo amoroso entre Gilbert Evans, Florence Carter-Wood e Alfred “AJ” Munnings. Devoção, traição e amizade marcam esse romance baseado num livro homônimo e numa história real.

Acredito que em algum momento alguém quis contar algo nesse filme. A quantidade de coisas não ditas e expressões de espanto, no entanto, cansam a história. Os carismáticos Dan Stevens e Dominic Cooper se esforçam, mas não conseguem convencer a amizade/paixão/tesão que deveria existir entre eles. A pior situação, no entanto, fica para Emily Browning, que se esforça para manter consistente uma personagem desnecessariamente sexualizada e cuja personalidade abalada não passa de arroubos suicidas explicados irresponsavelmente pela máxima “culpa de amor por um homem”.

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