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10 Pontos Acerca de Homem-Aranha: De volta ao Lar

Assisti Spider-Man: Homecoming e resolvi escrever 10 impressões que tive sobre primeiro filme do Escalador de Paredes dentro do MCU. Aviso logo, tem SPOILERS!

1. O filme diverte e é bem adolescente, realmente relembrando os clássicos de John Hughes como Curtindo a Vida Adoidado, Clube dos Cinco ou Gatinhas e Gatões, mas não necessariamente possui seu espírito, fazendo alusão a histórias do tipo “a jornada de um”, como Quero Ser Grande, O Voo do Navegador ou A Máquina do Tempo, ou seja, filmes que se focam tanto na jornada de seu protagonista que os personagens secundários parecem descartáveis ou cópias das cópias, trazendo um impacto menor na “mudança” que seria o mote principal da narrativa. Apesar disso, o elenco está tão engajado e envolvido com o filme que esse detalhe passa (quase) despercebido;

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O Voo do Navegador


2. Em meio a isso, a Tia May de Marisa Tomei, uma figura deveras importante na construção moral e emocional (NÃO necessariamente materna, diga-se de passagem) de Peter Parker, parece um enfeite de cena – isso quando não é tratada como tal – e a sempre comovente relação entre eles é diminuída a ponto de ambos não parecerem duas pessoas que convivem juntos e que sofrem a perda dos mesmos entes queridos – nisso, Rosemary Harris, a tia May dos filmes de Sam Raimi, continua imbatível e a relação dela com o Peter de Maguire ainda é uma das mais emocionantes do cinema spandex. Que fique claro que não me importa se Marisa Tomei é muito jovem, mas acho um erro a diminuição da força da personagem, independente de sua idade;

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Duas pessoas que se reconhecem. Um entende a dor do outro. Eles não são só tia e sobrinho. Eles são melhores amigos. Eles são a família um do outro… faltou isso… ou eu finalmente fiquei velho.


3. Tanto nos quadrinhos quanto nos filmes (+ em Sam Raimi, +/- em Marc Webb), a formação da personalidade de Peter tem muito a ver com as pessoas que o cercam: a culpa por tio Ben, o importar-se com o outro da tia May, a amizade de Harry, o carinho de Gwen Stacy, a força/porto seguro de Mary Jane, o ódio/medo de Norman – Peter sempre fez mais pelos outros (em maior ou menor grau) do que por si mesmo. Esse tipo de direcionamento é uma das bases fundamentais do personagem e se torna importante porque, necessariamente, se têm bem mais do que algumas falas soltas ou personalidades rasas em volta de um personagem dividido o tempo todo entre “poder e responsabilidade”. Spider-man: Homecoming larga essa ideia de forma desleixada e, com certeza, é seu grande erro;

4. Outra decisão acerca do filme – que talvez reflita o quanto a Marvel não está nada preocupada/interessada em acelerar o passo com seu aracnídeo – é a constante e por vezes exagerada presença do MCU – ponto que, por sinal, sempre foi minha grande crítica ao primeiro Thor. Apesar de achar curioso e até lógico – principalmente dentro dessa história – seu desejo e esforço em ser um Vingador, o “fantasma” desse universo diminui em muito a personalidade conflitante de Parker, fazendo-o carismático, mas pouco heroico (até quase o fim);

5. Isso, por sinal, de estar no “A-team”, toma desnecessariamente mais da metade do filme. Assim, o “elixir pós-clímax” é ele entender que ainda tem muito a aprender, deixando essa coisa toda de Vingadores de lado e sendo o herói que o Queens precisa e merece. Não acho que é uma decisão equivocada, só a acho pouco atraente, pois o filme parece um produto incompleto, dependendo enormemente de suas sequências e de seu lugar no MCU para fazer sentido;

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Sério. Alguém tem que fazer essa piada em algum momento.


6. Uma prova do tópico anterior são as personagens Liz e Michelle: a primeira só existe pra ser “a filha do vilão e o interesse amoroso do herói”, seus diálogos e mesmo exposição de sua personalidade dependem tanto da presença desses personagens que fica estranho sua relevância quando comparada a Mary Jane de Kirsten Dunst – que equivocadamente sempre precisava de um namorado, mas seguia sua própria história paralela a de Peter e não “através” dela. Michelle, por sua vez, aparece tão pouco que não possui outra função além de ser alívio cômico – como se o filme precisasse de mais – e mesmo o gancho para sua continuação soa vazio dentro do quadro geral – ou pouco corajoso da Marvel ao colocar uma menina negra sendo MJ, mas não chamá-la de Mary Jane. Para mais sobre as personagens femininas, recomendo esse texto;

7. Assim como muitos, acho que foi um ganho não termos tio Ben morrendo mais uma vez, mas um equívoco sem tamanho ele sequer ser citado ou qualquer demonstração dessa perda para o tipo de herói que o Aranha se torna – o que poderia ter se resolvido quando Ned pergunta a Peter se pode contar pra todo mundo que ele é o Aranha;

8. Algumas novidades – além da sempre elogiada diversidade do filme – vêm de escolhas simples, mas impactantes para o futuro da franquia: colocar Peter com um melhor amigo o retira de sua casca solitária e diminui a culpa que sempre está ao lado dele, além de criar cenas bastante divertidas (direcionamentos mais consoantes com os Aranhas Ultimates – os dois dos quadrinhos e o do desenho animado – e com Ben Reilly). Não dar backgound para o amigo além de “ele é o melhor amigo de Peter Parker” me soa preguiçoso. No entanto, Homecoming trouxe o que acredito ser a melhor versão de Flash Thompson, garantindo uns bons risos em vários momentos. Um passo corajoso em muitos sentidos e mais que acertado;

9. Riso, por sinal, é o que não falta: o filme é engraçadíssimo e muito dessa comédia eclipsa os defeitos do enredo/narrativa, e particularmente acho isso um ganho. Apesar de minhas críticas acerca da forma como o angustiante drama de Peter – em sua eterna jornada de balancear “poder e responsabilidade” na tênue teia da culpa – foi deixado de lado, acredito piamente que faltava mais humor nos filmes aracnídeos e ainda bem que ele foi resgatado aqui;

10. Meus enormes e mais sinceros elogios a Tom Holland. O ator é super carismático e um grande intérprete. Seu Peter Parker está consoante com os tempos de agora e ainda honra os primeiros anos do Aranha sob a batuta de Lee e Ditko. Duas cenas em especial me conquistaram: a que ele descobre (é descoberto) acerca do Abutre e a que ele está soterrado por escombros e chora desesperado e com medo pedindo ajuda até se reerguer. Palmas para o garoto que ele merece.

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